No tantrismo hinduísta este ritual é tão importante, que alguns textos afirmam que, se não for utilizado, o ‘culto’ da shakti, torna-se impossível. No sistema indiano de divindades, Shakti é a deusa mãe, considerada como a personificação da energia cósmica, em sua forma dinâmica. Nesta força, o universo é criado, preservado, destruído e recriado, pela trindade do Hinduísmo, Brahma, Vishnu e Shiva. È comum também, identificar em Shakti o aspecto feminino de uma divindade.
Ao pé da letra ‘pancatattwa’ significa ‘os cinco elementos’, referindo-se a cinco substâncias, a serem usadas e que são relacionadas aos cinco “grandes elementos”,da forma seguinte : a mulher (maithuna) que participa, refere-se ao ether; as bebidas alcoólicas (madya) ao ar; a carne (mamsa) ao fogo; o peixe(matsya) a água; os cereais(mudrâ) a terra. Como todos os nomes começam com a letra ‘m’,o ritual também é chamado “das cinco m” (pankamakâra).
O pancatattwa utiliza bebidas fortes e mulheres o que lhe atribuiu um caráter orgásticoe devasso, o bastante para alguns Ocidentais decretarem o ostracismo a todo o tantrismo.
O uso de bebidas inebriantes em rituais sagrados se perde na noite dos tempos.
Em particular o ‘soma’, considerado um néctar da imortalidade ou amor, equivalente ao grego “ambrósia”, (ambos os termos, significam ‘non-morte.) Enfim, a partir de uma certa época, o ‘soma dos deuses’ não mais foi conhecido e, para alcançar aquilo que Platão chamava de ‘entusiasmo divino’,o homem precisou do soma terrestre, um composto alcoólico, obtido da Asclépio ácida. Na realidade a utilização do sexo para fins estáticos e mágicos é comum também no tantrismo budista e, em tempos recentes e atuais, em algumas escolas iniciativas do mundo ocidental. O ritual hinduísta tende a sacralizar as funções naturais da nutrição e do sexo: assim, tudo que o homem comum faz obtusamente, como um animal, na forma tamasica da necessidade e do desejo, no pancatattwa deve ser vivido pelo operador (vira) com destaque, justamente no sentido de uma oferta ritual.
É duvidosa a critica que as religiões cristãs, possuídas por um complexo sexuofobo,fazem a este ritual partindo do preconceito que todo ato sexual é profano e impuro. É sabido que na iniciação em geral, recomenda-se o afastamento dos desejos da carne edas bebidas alcoólicas. Porém tudo depende da orientação inicial. A visão própria da senda da mão esquerda é a transformação do negativo em positivo. Assim sendo, os efeitos provocados pelo sexo e pelas bebidas poderiam sim abrir caminho para uma forma de iluminação absoluta.
Cada homem encarna o princípio Shiva ou purusha, cada mulher o principio Shakti ou prakrti. No ritual, a união dos dois reproduz a união do casal de deuses, ou seja dos princípios shiva-masculino e shakti-feminino. Suspensa a lei da dualidade dos sexos, pelo ‘samarasa’ induzido pelas bebidas e pelo prazer do amplexo, o casal volta ao Shiva andrógino e a unidade do principio e experimenta o‘sahaja’, o incondicionado. Tão grande seria a importância do Pankatattwa, que o Kulârnavatantra afirma que somente pela união sexual é possível alcançar a unidade suprema e a iluminação absoluta.
Quem disse que o sexo para a religião cristã é impuro ou profano? Para os cristãos, Deus criou o sexo e tudo o que Deus fez/faz é bom! É hora de deixar de falar o que dizem(preconceito) e procurar conhecer o que realmente é a verdade sobre as religiões, inclusive a cristã! Valeu.
Continuando… O ser humano é especial (com intelecto) e assim deve proceder procurando agir não como alguns animais, cachorro, por exemplo, fazendo sexo com qualquer pessoa que aparece, mas com compromisso, pois da relação sexual advém consequencias psicológicas e biológicas, que devem ser consideradas.
@ Marcos Savio, tenho todo respeito pelo Sr. Marcos Savio, porém eu fico com a opinião aventada no texto “O soma dos deuses”, pois até poucas decadas os cristãos faziam sexo por meio de um lençol, com um buraco no meio.
Para reforçar minha opinião apareceu outro texto “Religião e sexo: revisão urgente”, que o
deveria ser lido.